Quanto vale a carteira de clientes de uma assessoria

51% do valor agregado alocado em 125 aquisições de RIAs realizadas pela Focus Financial entre 2018 e 2022 foi atribuído aos relacionamentos com clientes. A conclusão vem de uma análise da Mercer Capital sobre as transações realizadas pela consolidadora americana no período.

Anderson Timm
Análise do valor da carteira de clientes de uma assessoria de investimentos para além do patrimônio sob custódia

O número ajuda a trazer uma perspectiva diferente para o mercado brasileiro. Estamos acostumados a avaliar assessorias principalmente pelo patrimônio sob custódia, captação, receita e crescimento. São indicadores fundamentais, mas não explicam sozinhos a qualidade do ativo construído por uma empresa ao longo dos anos.

Uma assessoria com R$ 5 bilhões distribuídos entre uma base pulverizada e recorrente possui características distintas de outra com o mesmo patrimônio concentrado em poucas famílias ou excessivamente dependente de alguns assessores. Para quem analisa a capacidade futura de geração de caixa, essas diferenças importam.

O que existe por trás do patrimônio

Quando uma carteira é analisada economicamente, algumas variáveis ganham peso. Retenção mostra a capacidade de preservar os relacionamentos. Concentração revela a exposição à saída de poucos clientes. Recorrência aumenta a previsibilidade das receitas. O perfil etário e patrimonial da base ajuda a entender ciclos de acumulação, desacumulação e sucessão.

Outro fator relevante é a transferibilidade do relacionamento. Se um assessor ou sócio deixa a empresa, quanto daquela carteira permanece?

Essa pergunta ajuda a separar relações construídas exclusivamente entre cliente e profissional daquelas que foram efetivamente institucionalizadas. Processos, atendimento compartilhado, sucessão e marca passam, nesse contexto, a ter impacto econômico.

A informação também passa a fazer parte do ativo

Existe, porém, uma camada adicional.

Uma assessoria pode saber que determinado cliente possui R$ 5 milhões sob custódia. Ou pode conhecer seu histórico de aportes e retiradas, patrimônio fora da instituição, estrutura familiar, necessidades de liquidez, comportamento em períodos de volatilidade e perspectiva de sucessão.

No primeiro caso, existe informação sobre o tamanho da conta. No segundo, existe inteligência sobre o relacionamento.

Essa diferença permite identificar riscos de saída, oportunidades de expansão, necessidades futuras e relações ainda excessivamente dependentes de profissionais específicos. Também reduz a chance de que informações importantes permaneçam dispersas em mensagens, planilhas ou simplesmente na memória do assessor.

Por isso, dados não devem ser vistos apenas como uma ferramenta de eficiência comercial. Quando bem estruturados, ajudam a transformar relações pessoais em conhecimento institucional.

Uma nova camada para o valuation

O mercado brasileiro de assessoria avançou rapidamente em escala e consolidação. À medida que esse processo amadurece, é natural que a discussão sobre valuation também passe a considerar com maior profundidade o que existe dentro do AUC.

Não apenas quanto patrimônio foi reunido, mas quão recorrente, diversificada, transferível e conhecida é essa base de clientes.

O tamanho continua sendo relevante.

Mas a próxima discussão pode estar cada vez mais na qualidade do ativo construído por trás dele.

Fonte: Veritas — leia o artigo original.

Fonte: Veritas

Anderson Timm

Colunista de M&A e Wealth Management

Cobre M&A, consolidação e wealth management no mercado de investimentos.

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