Com R$ 160 bi em AUC incorporado nos últimos 16 meses, M&A se torna principal fator de crescimento do mercado de assessorias, consultorias e gestoras.
- Anderson Timm

- há 6 horas
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O mercado financeiro brasileiro entrou em um novo ciclo de consolidação. Nos últimos 16 meses, aproximadamente R$ 160 bilhões em AUC/AUM foram incorporados por meio de operações de fusões e aquisições, colocando o M&A no centro das estratégias de crescimento de assessorias, plataformas, corretoras e gestoras.
O movimento deixou de ser pontual. O que antes aparecia como uma alternativa para expansão passou a ser usado como ferramenta recorrente de escala, eficiência, especialização e posicionamento competitivo.
No novo estudo Market Trends M&A, a Veritas analisou os principais movimentos de 2025 e do 1º semestre de 2026 para entender não apenas quanto foi movimentado, mas por que essas operações aconteceram e o que elas sinalizam para o próximo ciclo do mercado financeiro.
1. O M&A virou uma alavanca central de crescimento
O ano de 2025 marcou o início de uma curva mais relevante de fusões e aquisições no mercado financeiro brasileiro. A partir desse período, as operações começaram a ganhar frequência, volume e maior sofisticação estratégica.
Já no 1º trimestre de 2026, o mercado registrou o maior volume histórico de AUC movimentado em operações de M&A: R$ 56,1 bilhões, um aumento de 180,5% em relação ao 1º trimestre de 2025.
Esse dado mostra uma mudança importante. O crescimento orgânico continua relevante, mas já não explica sozinho a expansão dos principais players. Para muitas instituições, comprar, vender, se fundir ou integrar operações passou a ser parte da estratégia de longo prazo.
2. As assessorias lideram em número de operações
Entre os segmentos analisados, as assessorias de investimentos foram as mais ativas em quantidade de transações. Elas concentraram 14 operações, somando aproximadamente R$ 46,35 bilhões em AUC/AUM incorporado.
Esse movimento revela uma tendência clara: escritórios de diferentes portes passaram a buscar escala, eficiência operacional, integração de equipes e fortalecimento regional.
A consolidação também reflete uma depuração natural do setor. Em um ambiente mais competitivo, com maior exigência de governança, tecnologia e qualidade de atendimento, operações menores ou intermediárias tendem a buscar integração com estruturas mais robustas.

3. Plataformas e corretoras fazem menos operações, mas com maior impacto
Plataformas e corretoras realizaram apenas 6 operações no período analisado, mas movimentaram cerca de R$ 65,0 bilhões em AUC/AUM.
O dado mostra que, nesse segmento, o impacto não está necessariamente na quantidade de transações, mas no tamanho e na relevância estratégica dos ativos incorporados.
A XP, por exemplo, tem usado o M&A para fortalecer sua rede B2B, integrar escritórios alinhados ao seu modelo de distribuição e ampliar capilaridade. Já o BTG segue uma lógica diferente, mais voltada ao fortalecimento de plataforma, asset management, canais digitais, produtos sofisticados e aquisição de capacidades estratégicas.
4. Gestoras usam M&A para especialização
As gestoras de carteira somaram 5 operações, com aproximadamente R$ 49,2 bilhões em AUC/AUM incorporado.
Nesse grupo, o M&A aparece menos como uma simples busca por escala e mais como um movimento de especialização. Operações envolvendo players como Pátria, Azimut e Apex reforçam a busca por presença em segmentos como crédito estruturado, FIIs, private markets e teses de maior complexidade.
Isso mostra que algumas operações, mesmo em menor número, podem remodelar posicionamento, ampliar a prateleira de produtos e acelerar a entrada em mercados que levariam anos para serem construídos organicamente.

5. As motivações por trás dos M&As estão mais sofisticadas
O estudo também mostra que as operações não seguem uma única lógica. Entre as principais motivações identificadas estão escala e eficiência, fortalecimento de plataforma, expansão regional, especialização estratégica e complementaridade comercial.
Escala e eficiência aparecem como a motivação mais recorrente, representando 37,5% das operações analisadas. Já fortalecimento de plataforma, mesmo com menor frequência, responde por 30,6% do AUC/AUM incorporado, indicando operações menos numerosas, mas com impacto financeiro relevante.
Essa leitura é importante porque ajuda o mercado a entender que um M&A bem-sucedido não depende apenas do tamanho da carteira. Ele depende da compatibilidade entre culturas, da complementaridade entre clientes e equipes, da qualidade da governança e da capacidade real de integração.
6. O próximo ciclo será definido por quem estiver preparado
Para assessorias, consultorias, gestoras e plataformas, o recado é direto: o M&A deixou de ser um tema distante e passou a influenciar valuation, posicionamento competitivo, governança e plano de crescimento.
Quem pretende comprar, vender ou se fundir precisa olhar para a organização societária, qualidade dos dados, estrutura de compliance, processos internos, modelo de remuneração, cultura e capacidade de integração.
O mercado já está se movendo. A diferença, daqui para frente, estará entre quem acompanha esse movimento de forma reativa e quem se prepara para capturar valor no momento certo.





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